A História da E.G.C.

A EGU e a Sucessão de Antióquia

Após assumir o patriarcado da Igreja Católica Universal, Bricaud se tornou amigo do Bispo Louis–Marie–François Giraud (Mgr. François, falecido em 1951), um ex–monge Trapista que traçou sua sucessão episcopal para Joseph René Vilatte (Mar Timotheos, 1854–1929). Vilatte foi um parisiense que emigou para a América cedo em sua vida. Ele foi um duradouro entusiasta religioso, mas foi incapaz de encontrar saciedade nas escrituras da Igreja Romana Católica; então, na América, começou uma busca por um ambiente religioso mais apropriado a sua personalidade e ambições.

Ele andou de seita em seita, servindo por um tempo como ministro Congregacionalista, mais tarde sendo ordenado ao sacerdócio na cismática seita “Catolicismo Antigo”. Por fim ele obteve consagração episcopal em 1892 pelas mãos do Bispo Antonio Francisco–Xavier Alvarez (Mar Julius I), Bispo da Igreja Síria Jacobita Ortodoxa e Metropolitano da Igreja Católica Independente do Ceilão, Goa e Índia, que em troca recebeu consagração de Pedro Ignatius III, “Pedro o Modesto”, Jacobita Ortodoxo Patriarca de Antióquia. Vilatte consagrou Paolo Miraglia–Gulotti em 1900; Gulotti consagrou Jules–Houssaye (ou Hussay, 1844 – 1912) em 1904; Houssaye consagrou Louis–Marie–François Giraud em 1911, e Giraud consagrou Jean Bricaud em 21 de julho de 1913.

A consagração foi importante para a igreja de Bricaud porque proveu uma válida e documentada sucessão apostólica episcopal, que foi reconhecida pela Igreja Romana Católica como válida, mas “ilícita” (i.e., espiritualmente eficiente, mas não aprovado e contrária à política da Igreja). A sucessão apostólica foi também amplamente percebida como refletindo uma transmissão de verdadeira autoridade espiritual na corrente Cristã, remetendo até São Pedro; e até mesmo a Melchizedek, o semi–mítico rei–sacerdote de Salém que serviu como sacerdote do patriarca hebreu Abraão. Isso proveu a Bricaud e seus sucessores a autoridade apostólica de administrar sacramentos cristãos; o que era importante, porque muitos dos membros da Ordem Martinista eram da fé católica, mas como membros de uma sociedade secreta estavam sujeitos à excomunhão se suas afiliações Martinistas ficassem conhecidas. A EGU então ofereceu contínua garantia de salvação aos cristãos católicos que eram Martinistas ou desejavam se tornar Martinistas.

Após a morte de Encausse em 1916, a Ordem Martinista e a seção francesa dos Ritos de Memphis e Mizraim e da O.T.O. foram brevemente liderados por Charles Henri Détre (Teder). Detré morreu em 1918 e foi sucedido por Bricaud.

Em 15 de maio de 1918, Bricaud consagrou Victor Blanchard (Taus Targelius), que tinha sido secretário de Encausse e Detré. Em 18 de setembro de 1919, Bricaud reconsagrou Theodor Reuss sub conditione (esses termos se referiam a uma consagração que eram na verdade para remediar algum “defeito” numa consagração prévia), porventura dotando ele da sucessão de Antióquia, e apontando ele “Emissário Gnóstico” da EGU para a Suíça.

Desentendimentos irromperam entre Bricaud e Blanchard acerca da liderança da Ordem Martinista, o que acabou virando uma violenta hostilidade mútua. Blanchard eventualmente rompeu com Bricaud para formar sua própria cismática Ordem Martinista, que seria conhecida como “Ordem Martinista e Sinarquista”. O ramo de Blanchard mais tarde participou da formação de um “conselho ecumênico” de ritos ocultos conhecido pelas iniciais F.U.D.O.S.I., do qual a AMORC de H. Spencer Lewis tirou muito de sua autoridade. Em troca, o ramo de Bricaud, sob seu sucessor Constant Chevillion, juntou–se a R. Swinburge Clymer, adversário Rosacruz de Lewis, para formar um conselho rival chamado F.U.D.O.F.S.I.

Blanchard consagrou pelo menos cinco outros Bispos Gnósticos sob sua própria autoridade, incluindo Charles Arthur Horwath, que mais tarde reconsagrou, sub conditione, Patrice Genty (Tau Basilide), o último patriarca da l’Église Gnostique de France, que tinha sido previamente consagrado na sucessão espiritual de Doinel por Fabre des Essarts; e Roger Ménard (Tau Eon II), que então consagrou Robert Ambelain (Tau Robert) em 1946. Ambelain procedeu em fundar sua própria Igreja Gnóstica, a Igreja Gnóstica Apostólica, em 1953, o ano da morte de Blanchard.

Ambelain consagrou pelo menos dez bispos gnósticos na l’Église Gnostique Apostolique, incluindo Pedro Freire (Tau Pierre), Primaz do Brasil; Andre Mauer (Tau Andreas), Primaz de Franche–Comte; e Roger Pommery (Tau Jean), Bispo Titular de Macheronte.

Bricaud morreu em 21 de fevereiro de 1934 e foi sucedido pelo Patriarca da EGU e como Grande Mestre da Ordem Martinista por Constant Chevillon (Tau Harmonious). Chevillon foi consagrado por Giraud em 1936, que subsequentemente consagrou alguns bispos ele mesmo, incluindo R. Swinburne Clymer em 1938 e Arnoldo Krum–Heller (fundador da Fraternitas Rosacruciana Antiquas e representante da O.T.O. de Reuss para a América do Sul) em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo fantoche de Vichy da França ocupada baniu todas as sociedades secretas e em 15 de abril de 1942 a EGU foi oficialmente dissolvida pelo governo. Em 22 de março de 1944, Chevillon foi brutalmente assassinado por soldados da força de ocupação de Klaus Barbie.

A EGU foi revivida após a Guerra, e em 1945 Tau Renatus foi eleito como sucessor do martirizado Chevillon. Renatus foi sucedido em 1948 por Charles–Henry Dupont (Tau Charles–Henry), que renunciou em 1960 em favor de Robert Ambelain (Tau Jean III), que adquirira considerável proeminência pelos seus escritos. Ambelain finalmente pôs l’Église Gnostique Universelle para descansar em benefício de sua própria “Église Gnostique Apostolique”.

Tau Jean III foi sucedido como patriarca da l’Église Gnostique Apostolique por André Mauer (Tau Andreas) em 1969, que sucedeu Pedro Freire (Tau Pierre), Primaz da América do Sul, em 1970. No mesmo ano, Freire foi reconsagrado como Mar Petrus–Johannes XIII, patriarca de l’Église Gnostique Catholique Apostolique, por Dom Antídio Vargas da Igreja Católica Apostólica brasileira. Em sua morte em 1978, Freire foi sucedido por Edmond Fieschi (Tau Sialul I), que abdicou como patriarca em benefício de seu auxiliar Fermin Vale–Amesti (Tau Valentinus III), que se recusou a aceitar o cargo: efetivamente colocando l’Église Gnostique Apostolique, bem como a l’Église Gnostique Catholique Apostolique para descansar como organizações internacionais. Um ramo norte–americano autocéfalo de l’Église Gnostique Catholique Apostolique sobreviveu sob a liderança do Primaz Roger Saint–Victor Hérard (Tau Charles), que consagrou alguns bispos, mas morreu em 1989 sem apontar um sucessor. Muitos bispos de Hérard estão ainda em atividade nos Estados Unidos.