A História da O.T.O.

Como um jornalista, Reuss viajava freq√ľentemente √† Inglaterra. Em uma destas viagens ele conheceu Aleister Crowley (Baphomet, 12/10/1875 ‚ÄĒ 01/12/1947), o qual foi admitido aos tr√™s primeiros graus da O.T.O. em 1910. Em 21 de abril de 1912 Reuss deu a Crowley uma patente, gratuitamente, indicando‚Äďo como Grande Mestre Nacional Geral X¬į da O.T.O. para a Gr√£‚ÄďBretanha e Irlanda. A indica√ß√£o de Crowley inclu√≠a autoridade sobre os Ritos de l√≠ngua Inglesa nos graus inferiores (ma√ß√īnicos) da O.T.O., aos quais foi dado o nome de Mysteria Mystica Maxima, ou M.¬∑.M.¬∑.M.¬∑..

Em primeiro de junho de 1912, uma Grande Loja Nacional para os pa√≠ses eslavos foi estabelecida por Czeslaw Czynski. Franz Hartman morreu em sete de agosto de 1912. Em setembro de 1912 Reuss publicou a "Edi√ß√£o de Jubileu" do "The Oriflamme", que foi a primeira edi√ß√£o a mencionar a O.T.O. em qualquer detalhe, e foi quase inteiramente devotada a assuntos da O.T.O. Kellner, Reuss e Crowley eram listados como membros de grau X¬į da O.T.O. Tamb√©m em 1912 Crowley publicou o "Manifesto da M.¬∑.M.¬∑.M.¬∑." no qual a M.¬∑.M.¬∑.M.¬∑. foi identificada como a se√ß√£o brit√Ęnica da O.T.O., a qual "inclu√≠a todos os pa√≠ses onde o Ingl√™s fosse largamente falado". A O.T.O. √© descrita neste documento como
"...um corpo de iniciados em cujas m√£os est√° concentrada a sabedoria e o conhecimento dos corpos seguintes:
A Igreja Gnóstica Católica.
A Ordem dos Cavaleiros do Espírito Santo.
A Ordem dos Illuminati.
A Ordem do Templo (Cavaleiros Templ√°rios).Graal
A Ordem dos Cavaleiros de S√£o Jo√£o.
A Ordem dos Cavaleiros de Malta.
A Ordem dos Cavaleiros do Santo Sepulcro.
A Igreja Oculta do Santo Graal.
A Ordem Rosacruz
A Fraternidade Hermética da Luz.
A Sagrada Ordem da Rosa Cruz de Heredom.
A Ordem do Sagrado Arco Real de Enoch.
O Antigo e Primitivo Rito da Maçonaria (33 graus).
O Rito de Memphis (97 graus).
O Rito de Mizraim (90 graus).
O Antigo e Aceito Rito Escocês da Maçonaria (33 graus).
O Rito de Swedenborg da Maçonaria.
A Ordem dos Martinistas.
A Ordem de Sat Bhai,
A Ordem Hermética da Golden Down
e muitas outras ordens de mérito igual, se de menos fama."

O Manifesto da M.·.M.·.M.·. também deu o seguinte esquema de organização da Ordem:

O¬į MINERVAL
I¬į M.
II¬į M.
III¬į M.
PI
IV¬į, Companheiro do Santo Arco Real de Enoch.
Príncipe de Jerusalém.
Cavaleiro do Leste e do Oeste.
V¬į, Pr√≠ncipe Soberano da Rosa Cruz. (Cavaleiro do Pelicano e √°guia.)
Sócio do Senado de Cavaleiros Filósofos Herméticos, Cavaleiros da águia Vermelha.
VI¬į, Ilustre Cavaleiro (Templ√°rio) da Ordem de Kadosch, e Companheiro do Santo Graal.
Chefe Inquisidor principal, Sócio do Tribunal Principal.
Príncipe do Segredo Real.
VII¬į, Inspetor General Principal Soberano Muito Ilustre.
Sócio do Conselho Principal Supremo.
VIII¬į, Pont√≠fice Perfeito dos Illuminati.
IX¬į, Iniciado do Santu√°rio do Gnosis.
X¬į, Rex Summus Sanctissimus (o Rei Supremo e mais Santo).

A edição de setembro de 1912 do "The Oriflame" incluiu uma listagem similar de um sistema de dez graus:

I - Pr√ľfling [Probacionista]
II - Minerval
III - Johannis-(Craft-) Freimauer [Artesão maçon]
IV - Schottischer-(Andreas-) Mauer [Maçon escocês]
V - Rose Croix-Mauer
VI - Templer-Rosenkreuzer
VII - Mystischer Templer
VIII - Orientalisher Templer
IX - Vollkommener Illuminat [Perfeito Iluminado]
X - Supremus Rex

Desta forma, em 1912, Crowley e Reuss haviam condensado o sistema da Arte e dos altos‚Äďgraus ma√ßons em um sistema vi√°vel de dez graus numerados que incorporava os ensinamentos e simbolismo de um certo n√ļmero de sociedades ocultistas e m√≠sticas. Os tr√™s graus da Academia Ma√ß√īnica de Kellner formavam os graus VII¬į, VIII¬į e IX¬į deste sistema. O d√©cimo grau (X¬į), "Rex Summus Sanctissimus", ou "Supremus Rex", designava o Gr√£o Mestre Geral Nacional da O.T.O para um determinado pa√≠s, regi√£o ou grupo ling√ľ√≠stico. A suprema autoridade da Ordem, internacionalmente, era chamada de "Frater Superior" ou Cabe√ßa Externa da Ordem ("Outer Head of the Order" ‚ÄĒ O.H.O.).

Os Gr√£os Mestres Gerais Nacionais tinham a autoridade para indicar seus pr√≥prios representantes, chamados "Vice‚ÄďReis", em outros pa√≠ses de mesmo idioma dominante. Vice‚ÄďReis podiam ainda serem levados ao X¬į pelo O.H.O. Dos Gr√£os Mestres Gerais Nacionais esperava‚Äďse que conduzissem os neg√≥cios da O.T.O. de acordo com a Constitui√ß√£o da O.T.O., mas em grande escala fora da supervis√£o di√°ria do quartel‚Äďgeneral internacional ou "Escrit√≥rio Central".

O Manifesto da M.¬∑.M.¬∑.M.¬∑. inclu√≠a fotografias da mans√£o de Crowley na Esc√≥cia, chamada de Boleskine, a qual servia como "Casa de Of√≠cios" da Ordem. Inclu√≠a tamb√©m uma lista de taxas e mensalidades para cada grau, bem como uma lista de "taxas de afilia√ß√£o", onde ma√ßons poderiam afiliar‚Äďse diretamente no n√≠vel correspondente ao seu pr√≥prio grau na Ma√ßonaria. Estas listas foram reimpressas na edi√ß√£o de 1914 de "The Oriflamme", junto com os t√≠tulos de graus do Manifesto de Crowley traduzidos para o Alem√£o.

Em 1912, o sistema da O.T.O., apesar de suas v√°rias influ√™ncias, permanecia principalmente ma√ß√īnico. Na Edi√ß√£o de Jubileu de "The Oriflamme" Reuss definiu a O.T.O. como "uma ordem n√£o pura e simplesmente ma√ß√īnica, mas cada membro de nossa Ordem, homem ou mulher... deve proceder atrav√©s dos graus de artes√£o da Ma√ßonaria, mesmo aqueles dos mais altos‚Äďgraus da Ma√ßonaria, antes de serem iluminados e iniciados membros de nossa Ordem." Contudo, a Grande Loja Unida da Inglaterra, a quem Crowley tecnicamente devia alian√ßa, objetou a aceita√ß√£o de Graus de Artes√£o na Inglaterra fora de sua jurisdi√ß√£o e objetou a admiss√£o de mulheres na Ma√ßonaria. Ainda assim, Crowley incluiu o seguinte texto em seu Manifesto da M.¬∑.M.¬∑.M.¬∑.:

"A O.T.O., ainda que uma Academia Ma√ß√īnica, n√£o √© um Corpo Ma√ß√īnico posto conceder os graus de artes√£o no sentido no qual esta express√£o √© normalmente entendida na Inglaterra; e assim n√£o h√° conflitos com ou infra√ß√£o aos justos privil√©gios da Grande Loja Unida da Inglaterra"

Em 15 de fevereiro de 1913 Crowley adotou uma Constitui√ß√£o para a M.¬∑.M.¬∑.M.¬∑., submetida √† Constitui√ß√£o Geral da O.T.O. Em 19 de mar√ßo de 1913, Crowley e Reuss unidos deram patente a James Thomas Windram(Mercurius, 1877 ‚ÄĒ 1939) como representante oficial da O.T.O. na √Āfrica do Sul. Posteriormente, em 1913, visitando Moscou, Crowley comp√īs a Missa Gn√≥stica, a qual ele "preparou para o uso da O.T.O. a cerim√īnia central de sua celebra√ß√£o p√ļblica e particular, correspondendo √† Missa da Igreja Cat√≥lica Romana."